sábado, outubro 13, 2007

O Grito Final


Passam horas. Passam dias e semanas. Sorrateiramente, passam meses... passam anos. Olhamos para trás e vemos um passado longo e glorioso. Poderá inclusivamente ser considerado como «mal aproveitado», mas agora já pouco importa. Olhamos para o dia de hoje e vemos o quanto mudámos. Por fim, olhamos para o futuro e vemos que tudo o que um dia começou, brotou e floresceu está para morrer brevemente. Pouco falta para tudo acabar. Hoje, presente, somos Meninos da Luz em fase terminal. Somos Meninos da Luz formados. Somos instrutores. Amigos. Irmãos. Pais. Hoje, choramos em conjunto em prol de algo que certo dia nos uniu e marcou para sempre e que, quando o momento chegar, irá cicatrizar as nossas almas e corações para nunca ser esquecido...
Como pude achar, um dia, que a vivência colegial era longa? Como? Por que razão me terá parecido tudo tão lento? Não sei responder. Mas sei que estava redondamente enganado. Porque... vejo-me ao espelho e vejo o peso da responsabilidade sobre os ombros. E carregamo-la às costas, para todo o sítio; para onde quer que vamos. Passámos em "tão pouco tempo" de crianças a adultos prematuros. Passámos de aprendizes a mestres... Aqueles que hoje tomam o lugar que tomámos há 4 e 5 anos olham-nos e ouvem-nos. Tentamos a todo o custo fazê-los ver o que a nós foi explicado. Tudo passa depressa e tudo acaba, antes que nos apercebamos disso. Mas não assimilam isso. Tal como nós não assimilámos, tal como nós não percebemos. E custa profundamente vê-los fracassar e falhar precisamente onde nós errámos... Não conseguimos mudá-los e saímos magoados.
Hoje passamos-lhes tudo o que nos é possível e tudo o que nos foi passado, mas sempre de lágrimas no canto do olho, porque o nosso tempo de viver isso já está para trás das costas, já cedeu à inevitabilidade avassaladora do passado... e uma vez mais, dói. A dor é saudade incontrolável. O que anteriormente nos parecia tão fácil, hoje é tão difícil... Precisamente o contrário ao que, até termos uma posição de graduado, sempre pensávamos. Uma vez mais, estávamos enganados.
Mas só quem sente na pele a força e tristeza de um último grito, o grito final de desespero por ensinar e aperfeiçoar os erros que, outrora, foram nossos, se apercebe disso. O grito que traz o fogo de uma alma profundamente marcada. De ora em diante, contam-se os nossos últimos momentos. O grito é de imortalidade. O que ontem fizemos, e não fizemos, será por outros feito, sempre em plena continuidade.
Grito de guerra.
Grito de mágoa.
Grito de dor incontornável.
Grito de Saudade.
Grito de Vitória.
Grito de Felicidade e Esperança, Amizade que alcança…
O Nosso Triunfo.
É o fim, mas é de igual modo um começo. Tudo começará do zero para quem, no dia de amanhã, entrar pelas mesmas portas pelas quais entrámos certo dia. E dos miúdos que hoje ensinamos, receberão tudo o que estes recebem dia após dia. Receberão o que já foi de alguém, que hoje é nosso e que amanhã será dos nossos Putos.
Hoje, o Grito Final é nosso. Com orgulho e brio, gritemos.

Por Ti, Colégio que nos apraz,
Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz!